Friday, September 24, 2010

Serenata Melancolica

                              


          


Vem meu querido!                                              
Tua face quero ver.                                             
Meu amado,                                                        
Volte a vida.                                                        
Amor, volte a viver.

O meu pranto ja secou                                         
Jo chorei a minha dor.                                          

Eu era tao triste                                                   
Quando te encontrei                                             
O amor, tudo modificou.                                       
A tua presenca,                                                   
teu corpo,                                                           
A vida que me deu!                                               

Agora, nao sei mais como                                     
me alegrar.                                                         
Sem ti, tudo é saudade.                                         
Meu ser é como o vento.                                     
A suspirar por ti.                                                 

Vai pra outro mundo.                                            
Nao te esquecas da tua bela.                                 
                                                                         
Em meu peito,                                                      
Tu repousas...                                                      
Eterno amor                                                         
Va em paz...        


Joao Paulo Machado 04/01/2009                                                 





Sunday, September 19, 2010

Impressionismo

O Mar de Maria,
A Mata de Matilde,
A Mão de Moisés,
A Maçã do Adão.


Cada som, cada voz, cada cada,
em cada imagem na mente criada
A sombra da imensidão.
Em cada revés,
em cada indeciso acerto
uma mostra de quem tu és.

Nossas escolhas são centelhas... fagulhas...
Frágeis como uma taça de cristal.
Camelos no fundo de Agulhas,
Mostram a nossa fraca vontade
e o nosso mundo irreal.

No Beco de Marina,
Na Esquina de Cristina
ou na cama de Amelia,
aventureiros da infinda puberdade,
viajam perdidamente
pelo Sertão da Saudade

Uns pela nostalgia do fim da tarde,
outros pelo torpor da Madrugada,
Tentamos com faca cega
Esculpir nossas almas.


Joao Paulo Machado


Foto by Wolney Scharwz

Friday, August 28, 2009

Andei


Andei tanto pelo mesmo caminho...
Andei de skate, de bicicleta...
Até corri! feito um atleta!
Andei sozinho.
No vento, na chuva e na neve.
Andei a pé quando os ônibus estavam em greve.
Andei até o chinelo arrebentar.
Andei sem rumo,
mas andei sem parar .

Já andei ansioso,
e cheio de esperança.
Já andei rindo que nem criança.
Já corri desgostoso.
Andei até o sapato furar!
Pensando que tinha chegado ao fundo do poço.

Já corri descalço,
já corri pro abraço,
mesmo sem fazer gol.
Já andei caindo,
já chorei sorrindo...
Andei e me queimei no sol.

Já andei em vão,
Já caí no chão.
Ja andei tão bêbado
que ri dos sóbrios.
Xinguei os carros,
Chorei num velório.

Andei em silêncio.
Andei pensando...
Tropecei tanto ate o pé calejar .
Mas nao parei de andar,
Mesmo quando pareceu
que a lugar algum eu iria chegar.

Andei pra lugar nenhum...
Andei gritando...
Mas me calei!
Foi preciso calar,
Pra entender que o valor não está somente,
no objetivo alcançado...
Mas ele também está e principalmente,
No caminho traçado.



João Paulo Machado









Tuesday, July 21, 2009


Eu tive a benção da verdade jogada na cara.


Verdade crua e despida,


mesmo quando retorcida,


livre de flores e vestimentas baratas.


Verdade lançada como um tapa.


ou como uma forma ingrata,


das vaidades ignorar.




Eu tive o prazer da verdade gritada na noite.


Verdade sangrada de açoite,


que corta o lombo ferido,


mas deixa o ser comovido


tornando cego o orgulho,


calando todo o barulho,


que a mentira teima em urrar.




Eu tive a paz da verdade que vem de mansinho.

Ela vem feito um carinho,

sussurrada no ouvido,

como a gota do orvalho

na folha escorrida.

Verdade cuspida,

Faz minh'alma se derramar.





















Friday, March 20, 2009


"Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos e não tivesse caridade, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

E ainda que tivesse o dom de profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse caridade, nada seria.

E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para o sustento dos pobres e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse caridade, nada disso me aproveitaria.

A caridade é paciente, é benigna; a caridade não é invejosa, não trata com leviandade, não se ensoberbece;Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A caridade nunca, jamais há de acabar, ou deixem de ter lugar as profecias, ou cessem as línguas, ou seja abolida a ciência....

Agora pois, permanecem a fé, a esperança e a caridade, estas três virtudes, porém a maior delas é a caridade" – (I Coríntios, Capítulo 13, versículos, 1-7 e 18)




Passei a vida inteira ouvindo isso, e so agora parece que comeco a entender o que ele quer dizer...
mesmo que eu tentasse explicar nao conseguiria e tambem nao adiantaria. Pois somente quando agente tem um tipo de insight...
tem coisas que nao podem ser explicadas somente com palavras,

Por isso existe a musica...

Pintura,

etc...

Tuesday, February 10, 2009

Filhote


Sou um filhote de passarinho,


aprendendo a voar.


Sou muito desajeitado e inseguro.


Preciso que minha mãe esteja sempre a me apoiar.


Tenho pequenas asas,


mas ainda não sei como usar.




Olho o mundo através de meu ninho.


Tudo parece tão atraente e lindo,


mas me sinto seguro onde estou


Não estou certo do que devo fazer.




Meu mundo e tão aconchegante e quentinho!


Minha mamãe sempre me dá comida e carinho.


Em compensação,


o mundo lá fora me parece tão chamativo e belo ...


como gostaria de conhecê-lo!


e bem alto voar,


mas minhas pequenas asinhas,


ainda não sei como usar...




Que céu azul, e que flores belas!


Quanta vida me espera!


num tímido salto um salto eu tento,


e acabo caindo no chão...


Caio uma, duas, três, dez vezes.


E sempre sem desistir,


até que de repente,


consigo as asinhas abrir,


e ao invés de um tombo,


cada vez mais longe consigo ir.




Quando me dou conta, estou no céu.


Voando e vendo tudo de longe.




Meu voo é desajeitado,


E difícil de controlar.


Mas com um pouco de treino,


Acho que vou melhorar.




Vejo outros pássaros


Elegantes, imponentes,


Uma águia, um gavião.




Como são belos! Como voam com precisão.


Depois de perceber como eles voavam com graça e beleza,


e ao me comparar com eles,

pensei em desistir.


E foi o que eu fiz.


Decidi não mais voar pois meu voo era feio e desajeitado.


Depois desse dia passei a me sentir tão inútil...


Com uma imensa tristeza dentro de mim.


Voltei para meu gostoso e aconchegante ninho, 
mas percebi que não havia volta para o meu caminho.


Depois de tantas belezas no mundo conhecer,


já não poderia voltar ao meu pequeno mundo...


Até que um dia percebi que,


Eu não voo pra ser melhor que os outros,


nem tampouco pra competir com as outras grandes e belas aves.


Voo porque tenho asas,


Voo porque isso faz parte de mim.


Tenho que seguir minha natureza, ao invés de comparar com os outros.


Mesmo sendo desajeitado, meu voo tem sua graça e me leva para lugares onde os animais terrestres não podem ir.


Me faz sentir coisas que os outros não podem...


Descobri que a função da flor era ser bela...


e que a da cigarra era cantar para enfeitar a vida ao seu redor,

mesmo que alguns animais não gostassem...


Percebi que encontrar a própria essência era realmente importante...











TRADUZIR-SE


De Ferreira Gullar


Uma parte de mim é todo mundo:

outra parte é ninguém:

fundo sem fundo.


Uma parte de mim é multidão:

outra parte estranheza e solidão.

Uma parte de mim pesa, pondera:

outra partedelira.


Uma parte de mim almoça e janta:

outra parte se espanta.

Uma parte de mim é permanente:

outra parte se sabe de repente.

Uma parte de mim é só vertigem:

outra parte, linguagem.

Traduzir uma parte na outra parte-

- que é uma questão de vida ou morte -

-será arte?